O lipedema, condição crônica que afeta principalmente mulheres, ainda enfrenta grandes obstáculos no diagnóstico e tratamento. A doença é caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, sobretudo nas pernas, e provoca dor e limitações físicas. Apesar de ser descrita há mais de 85 anos, só em 2022 foi oficialmente reconhecida pela Organização Mundial da Saúde.

A história de Leila, de 38 anos, ilustra a dificuldade enfrentada por pacientes: desde a adolescência ela sentia dores inexplicáveis, mas só recebeu o diagnóstico há quatro anos. O desconhecimento entre profissionais de saúde é um dos principais entraves, já que os sintomas muitas vezes são confundidos com obesidade.

Em 2023, o Ministério da Saúde incluiu o lipedema na política nacional de atenção especializada, permitindo que o SUS ofereça acompanhamento e, em casos selecionados, cirurgias como a lipoaspiração. Até novembro de 2025, mais de 1.600 atendimentos foram registrados.

Diferente da obesidade comum, o lipedema responde pouco a dietas e exercícios, exigindo tratamentos específicos e hábitos de controle diário. Para pacientes como Leila, que já passou por cirurgias e mantém rotina de cuidados, o objetivo é conquistar qualidade de vida e liberdade no dia a dia.

Essa realidade reforça a necessidade de maior conscientização e preparo da rede de saúde para identificar e tratar a doença, garantindo dignidade às mulheres que convivem com o lipedema.