Uma pesquisa publicada na revista Pediatrics acendeu um alerta para pais e especialistas: o uso precoce de celulares pode trazer sérios impactos à saúde mental de crianças e adolescentes. O estudo mostra que quanto mais cedo o acesso ao aparelho, maiores os riscos de sintomas depressivos, ansiedade, problemas de sono, obesidade e até comportamentos de automutilação.

Segundo o pediatra Paulo Teles, a faixa etária entre 10 e 14 anos é especialmente vulnerável, já que o cérebro ainda está em desenvolvimento. Ele explica que o uso excessivo de redes sociais intensifica comparações corporais, aumenta a exposição ao cyberbullying e favorece o consumo de conteúdos inadequados.

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crianças não tenham contato com telas até os 2–3 anos de idade. Entre 5 e 10 anos, o limite deve ser de uma hora por dia, e para adolescentes, até duas horas. Além disso, a entidade sugere que o celular seja entregue apenas a partir dos 14 anos e o acesso às redes sociais seja adiado até os 16.

Especialistas reforçam que o papel dos pais é fundamental: observar sinais de alerta como isolamento, explosões de comportamento ao retirar o aparelho e preferência por telas em vez de atividades reais. O controle parental e a educação digital são apontados como medidas essenciais para reduzir os riscos.