Um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) acendeu um alerta global: pela primeira vez na história, a obesidade infantil ultrapassou os índices de desnutrição entre crianças e adolescentes em idade escolar.
Segundo os dados, uma em cada dez crianças vive com obesidade, reflexo direto da crescente presença de alimentos ultraprocessados na rotina alimentar. Esses produtos, ricos em açúcar, gordura e sódio, vêm substituindo refeições frescas e nutritivas, criando ambientes chamados de “obesogênicos”, que favorecem escolhas pouco saudáveis.
No Brasil, especialistas apontam que essa transição nutricional já vinha ocorrendo há anos. A nutricionista Sarina Antoniassi destaca que o desafio atual é orientar famílias e escolas para oferecer alimentos naturais e incentivar hábitos equilibrados desde cedo. “O exemplo dos adultos é fundamental. Se a criança vê os pais consumindo frutas, legumes e refeições caseiras, ela tende a reproduzir esse comportamento”, afirma.
O relatório reforça que políticas públicas voltadas à educação alimentar, regulação da publicidade de ultraprocessados e incentivo à prática de atividades físicas são medidas urgentes para conter o avanço da obesidade infantil e reduzir os riscos à saúde das próximas gerações.
